Quero te convidar para uma vida de felicidade clandestina. Partimos de madrugada, enquanto tudo dorme. Levamos só a roupa do corpo e nosso amor louco. Pode escolher, podemos ir de barco, a pé ou de avião. Podemos usar nossas asas, se assim preferir. Compramos passagens só de ida, pra nunca mais voltarmos.

Nos despedimos deste mundo medíocre e covarde, sem fazer alarde. Deixamos nossos medos, as impossibilidades, o emprego e o passado. Toda amargura, toda mágoa. Iremos leves e plenos de desejo. O plano é simples: fugimos pra um lugar onde a sorte se encontra com o acaso, não deixamos nenhum rastro. Vamos de mãos dadas e almas entrelaçadas, pra não nos perdemos na estrada.

Vamos sem dizer nada, nem pensar em partidas ou chegadas. Tudo será estrada, tudo será futuro. Escolha uma data no calendário lunar. Nos encontramos no cair da noite e faremos raiar o dia. Dirigimos pela estrada com as janelas abertas, enchendo nossos pulmões de possibilidades e caminhos.  Inventaremos uma nova língua. Riremos alto, seremos cúmplices, bobos e felizes.

Poderemos desbravar nossos segredos e enterrar nossos medos. Vamos com passos tortos e sonhos novos, refazendo nosso destino e revertendo a lógica do tempo. Vamos descobrir paisagens e fazer dos nossos corpos a extensão do horizonte. Ficaremos em um lugar qualquer, alheios aos dias que avançam.

Vem que nos amaremos muito, um tanto e de novo e mais uma vez, num espiral de tempo infinito de nós dois.

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