Por mais que eu queira, sou apenas metade. Meio cheia, mas ainda metade. E a mim só foi dada a metade do caminho. Por mais que eu seja desejo e vontade, você precisa estender os braços, alcançar minhas mãos, vir ao meu encontro.

E eu já te dei mapa, ofereci rotas e datas. Te entreguei possibilidades e lhe dei todo o tempo, mas ainda não parece o suficiente, você nunca chega, nunca volta. Até agora, só desculpas e promessas.

E eu duvido. Porque, apesar de toda a força e fé, eu não sou à prova de balas. Eu não sou blindada, nem uso armadura. Eu não nasci de carapaça, não me cerco de muralhas e suas incertezas me atingem.

Contra tudo de você que segue comigo, eu duvido das suas intenções e acho que você não vem, que não tomará sua metade do caminho e sua parte em minha vida. Tomada pelo medo da sua covardia, a esperança vai preenchendo-se dos seus vazios e a vida oca faz doer em mim suas tardias certezas.

E, antes de dormir, agarrada à lembrança do que fomos, eu peço que a covardia não lhe amarre os braços, não lhe trave a língua, não lhe prenda as pernas. Peço que você seja forte e descubra suas asas. Que você ouse usá-las! Que tenha coragem de querer o infinito e a mim. E que eu possa te olhar pela última vez sem esperanças ou certezas, apenas com o alívio de não mais carregar esse quase em meus braços.

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