Diga

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Diga que me ama. Muitas vezes, de todas as maneiras.  Com as palavras, com os gestos, com as mãos, com os dedos, com a língua, com a alma, com os olhos, com a pele e o suor, com o corpo todo e com o seu silêncio. Não me acostumo mal, prometo.  Me confundo com minhas próprias pernas e me deixo levar pelos meus sentimentos.

Diga que me ama que meu gozo fica mais intenso, minha pele mais macia e meus cabelos mais brilhantes. Vibramos na mesma frequência, sacio minha fome, mato minha sede, te aperto com mais força, rebolo mais bonito, me entrego sem reservas, rio com os olhos, sinto borboletas no estomago, minha respiração fica ofegante e minhas pernas molinhas.

Diga que me ama bem cedo, quando ainda está escuro, tateando para se certificar que eu existo, tomando posse dos meus contornos e desbravando meus limites. Diga que me ama e você tem mais de três mil horas, todos os meus segredos, mesmo os que eu ainda não conheço.  Resgato a minha fé.  Não tenho medo de te perder e acredito que poderá ser pra sempre, seja pelo tempo que for. Eu perco a vergonha, esqueço as minhas fobias, os impedimentos, o passado, vivo o presente e invento um futuro pra nós dois.

Diga que me ama que eu tenho paciência com seus atrasos, pratico esportes, me alimento direitinho e como até salada. Meu sono melhora, meu banho é mais demorado, eu ligo menos pras olheiras, e caminho sem tropeçar na calçada. Diga que me ama sempre um pouquinho, cada dia mais, sem nenhuma outra palavra, só dizendo o meu nome do jeito que ninguém mais diz. Diga que me ama, de repente, e me lasque um beijo demorado, bem molhado, me apanhe na contramão da razão.

Diga que me ama em silêncio, sorrindo do mesmo jeito que eu e viro uma matéria desmedida, incontornável, que não se encarcera, não se rotula e não se guarda pra depois. Diga que me ama porque o seu amor me define, me batiza, me profana e me santifica. Partilhamos a invenção do nosso mundo e nos fazemos a simplicidade do acaso, um pouco um do outro, sem plano ou aquiescência, sem querer. Diga que me ama que eu me alcanço, me perco e me oriento e posso, finalmente, ser feliz.

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