Às vezes te odeio, pisoteio, maldigo, rasgo, cuspo, firo. Te bato, xingo, amaldiçoo, escorraço, vomito, nego. Mato. Morro. Renasço, mas nunca te esqueço.

Nem com todo tempo, com toda ausência, carência, querência. E, quanto mais longe eu tento ir, mais próxima a sua lembrança me parece. Aí, me reviro, me distraio, me engano, mas, nem com toda a verdade te esqueço.

Você está impregnado em cada espaço da minha memória, violando cada um dos meus sentidos. Você me azucrina, é uma voz que nunca se cala e o dia que nunca chega. E eu tento, mas não te esqueço.

Não te esqueço. E quando penso que quase sim, a vida me traz você. No cheiro do ar, no nome igual, na vitrine que me reflete, no postal, no outdoor, na música do rádio, no gosto, na comida, no travesseiro.

No fundo do copo e nas silhuetas estranhas. No arrepio da pele e na tristeza da alma. Sua presença está em mim, se alastra pelos lugares por onde ando e eu já não tenho para onde fugir.

E eu que te odeio, caminho cambaleante por entre os becos e nas esquinas da saudade a sua procura. Contradigo-me na vida que me lembra você, ainda e sempre guardado em mim…

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