Queria um jeito de te fazer saber de mim antes de você. Saberia então que todos os dias que eram sempre noites e os sorrisos eram só da boca pra fora.

Veria, com esses seus olhos doces, as feridas em carne viva e o silêncio ecoando pela casa vazia e repleta de todos os pedaços meus.

Visitaria meus medos, todos eles, os mais terríveis. Das pessoas, do futuro, da solidão, do recomeço. Entenderia, talvez, a insistência de permanecer entre os mortos e restos para não desperdiçar, mais uma vez, o amor.

Se soubesse de mim antes de você, talvez, mas só talvez, pudesse mensurar a infinitude do seu amor em minha vida, construindo pontes para que eu sobreponha todos os abismos feitos de desilusões.

Talvez, você compreendesse minhas mãos sempre sem jeito, minhas pernas sempre tortas, meu jeito apressado de te amar como se pudesse não haver amanhã. Porque nunca houve…

Você entenderia o jeito aflito como te abraço e te afago, ou como respiro seu hálito, enchendo do seu calor meu corpo, mais uma vez. Talvez compreendesse a maneira como te olho nos olhos buscando encontrar mais de mim mesma.

Então não se surpreenderia com a minha necessidade de findar todos os dias em seus braços, regando minha pele com seu suor e renascendo em flores, num imenso jardim.

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