Saudade é o amor que fica, o resquício da ilusão. Saudade é o resto, a sobra. O excesso de querer frente a escassez de você. Saudade é o frio que gela por dentro, as noites sem fim, os dias sem porquê. Saudade é o descompasso das horas e o espaço perdido entre a chegada e a saída.

Saudade é a âncora que me impede de seguir e afunda o coração. Saudade é o mar de ondas bravas, a rasteira que você deu no meu coração. O instante perdido, o não vivido e o inesquecível.

Saudade são migalhas do tempo e poeira na memória. Saudade é o suspiro entre o sonho e o pesadelo, o espinho sob a pele, a lágrima seca e o vão das mãos. Saudade é a olheira que emoldura os olhos, a dor que não passa, os grandes goles de vinho e a ressaca que não tem cura.

Saudade é o porre, o gosto ácido, o cansaço do corpo e a suplica da alma. Saudade é a contradição do amanhã que nunca chega e o ontem que nunca volta. Saudade é o presente que não se muda e a distância que não se transpõe.

Saudade é a sua covardia desviando dos meus apelos e a apatia diante do desespero. Saudade é a abstinência de te ter, lhe pertencer. Saudade é tudo o que você não quis, são minhas relíquias. Saudade é a esperança colidindo com a solidão.

Saudade é um tesouro sem valor, a pedra do sapado. Saudade é a amplitude do seu vazio ecoando em mim, a barreira de sentimentos a uma gota de romper. Saudade é o amor que fica, o que de você eu não consigo conter.

 

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