Sua falta caminha ao meu lado, é minha sombra e, à noite, minha solidão. É o oco que habita meu íntimo, as unhas roídas e o corpo cansado. Sua falta é uma ausência infinita e perpétua. É ampla e completa em tudo que sou e, principalmente, no que não posso ser.

Sua falta é uma fresta do tempo, que altera a lógica do mundo e faz e me faz ir na contramão. É o idioma controverso que falam meus olhos. Sua falta é a verdade escondida na mentira de ser uma outra, inventada para parecer que não me falta.

Sua falta é o meu tormento, minha loucura. É a parte de mim mesma que assombra e me assanha. Sua falta é o meu exílio, parte dos meus versos misturada à gestos imperceptíveis a olho nu. É o mar que molha a pele e o sal que salga os olhos. É a vida que segue, a margem de mim.

Sua falta é a quebra da promessa, a sua indiferença diante da minha entrega, o seu pouco caso negando minha plenitude. Sua falta é o silêncio de todas as palavras que quero ouvir e você não ousa dizer. É o desperdício do tempo longe da nossa existência, a covardia do amor.

Sua falta é onde começa e termina o meu dia. O instante no qual se revelam meus segredos e sussurros. Sua falta são meus gemidos abafados, as palavras mais profundas, a falta de ar. Dorme sob as mechas dos meus cabelos e se nutre da minha esperança.

Sua falta é assim, um sentimento não completável, uma vida não vivida que ficará suspensa até o dia em que o seu lugar seja, finalmente, restituído.

 

 

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