E faz tanto tempo que tudo aconteceu. E já faz tanto tempo que eu te odiei pra sempre que eu nem me lembro mais as razões que inventei pra te esquecer.

Quase tudo se dissipou no ar: toda a mágoa, toda a raiva, todos os motivos impostos para que seguíssemos por caminhos opostos.

O tempo, como uma rajada de vento, despiu da memória todas as impossibilidades e senões e o que se revelou, ali, dentro de mim, foi você, instalado na minha alma.

Como um pequeno pedaço de felicidade agarrado ao infinito, um sentir inexato entre o ser e o não ter sido por onde se abre uma fresta e escapolem expectativas de chegadas.

Desfaço as amarras que me prendiam ao impossível e invento certezas inviáveis. Me perco em sensações, numa estrutura instável de prazeres, emoções e possibilidades.

Caminho pelos rastros da nossa história, resgatando um pouco de mim presa à sua existência. Sei que o que fomos não pode se perder.

E não é preciso dizer nada, apenas intuir. Porque enquanto crescem os silêncios, enquanto eu não te sei, posso te saber como quiser, inventar o que gostaria, mudar a memória, relativizar o absoluto e alterar o que é para o que eu desejei que fosse.

Todas as ruas do destino parecem poder, por um segundo, desembocar na sua vida para sermos felizes como nunca, jamais e para sempre.

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