De você quero só o que me daria secretamente. As tardes furtivas e seus ímpetos mais selvagens. Quero você afundando em mim, o seu olhar me penetrando e abalando as minhas certezas. Quero ser seu gozo, seu suspiro, seu riso e sua fêmea. Seus dedos em meus cabelos e nós entre os lençóis. Quero te ver saciar os apelos do meu corpo e ser apenas a extensão do seu.

Quero ensolarar suas manhãs, estrelar seu céu e voltar nas velhas madrugadas.  Quero ser a ventania que bagunça suas ideias e a esperança de uma segunda chance, refundada em pequenas frestas. Quero ser o avesso da vida que você vive e o resgate todas as possibilidades descartadas, sabotadas, renunciadas.

De você quero o que me é de direito. A sua pele imprecisa, seus cílios em minha bochecha, seus dentes em minha língua e o seu sorriso em minhas mãos. Quero suas sílabas, o ar que te escapa, o espaço perdido entre os seus braços e um canto no seu coração.  Quero a metade meio vazia, seus grandes goles, o seu peito para me recostar, sentir seu cheiro e ouvir o som da sua respiração.

Quero que ignore o medo, a culpa, o politicamente correto, o socialmente aceito. Que perca o juízo, a prudência e se deixe levar sem pensar. Quero que me leve com você, mesmo que só por um instante e em segredo, mesmo que brincadeira.

De você só que quero só o que puder me dar, ainda que não tenha muito a lhe oferecer. As conversas demoradas, as atitudes, os gostos, os gestos, confidências compartilhadas no meio das banalidades do dia. E você, o que quer de mim?

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